O Mercado Zairense.
Brasil / África II
José Luiz P. da Costa

No esquema do Ministério de Relações Exteriores de participação em feiras e mostras no continente africano, o Brasil estará participando, entre 21 de junho e 6 de julho, em Kinshasa, no Zaire, da FEKIN-75, promoção que já conta com cerca de 35 participantes. A Feira poderá ser uma oportunidade para que empresários brasileiros possam adentrar um pouco mais no atraente mercado africano, especialmente face à consideração da similitude de necessidades, de clima e de nível tecnológico. O Zaire, já informamos em reportagem anterior, oferece a mais uma vantagem sobre o Brasil em termos de balança comercial, o que assegurará as divisas necessárias para o pagamento de muitos bens de consumo de que sua economia é carente.
Revolução Econômica.
Após o surgimento do “Estado Livre do Congo”, em 1885, com o início da entrada do país no sistema econômico europeu, o Congo foi adquirindo expressão econômica lentamente, com a longa exploração de seus minérios, a expansão do colonato, com a reserva das melhores terras em favor dos colonos, onde estes passaram a explorar grandes quantidades de produtos agrícolas. Ao longo desse período, que viria a terminar com a Independência, em 1960, o país também ganhou um parque industrial relativamente desenvolvido, considerando-se os demais países da região ocidental africana. Também nesse período foram construídas as primeiras usinas hidrelétricas, que no momento da independência tinham uma capacidade instalada de 525.000 kw, mais 90.000 kw de centrais térmicas. Mas esta moldura haveria de sofrer, nos anos da independência, entre 1960 e 1970. De início, o então Congo Belga viu-se desprovido dos quadros administrativos do país e mergulhou em anos de guerra civil. Tais fatores asseguraram uma expressiva queda geral da produção, exceptuando-se a produção mineira do Alto Katanga. Após 1965, com a subida ao poder do presidente Mobutu Sese Seko, o país voltou a conhecer novo surto de prosperidade. Não apenas a produção agrícola atingiu, e em alguns casos ultrapassou os níveis de 1959. A produção mineira, entretanto, ultrapassou todos os níveis anteriores. A indústria de construção foi grandemente beneficiada com o aumento da população das principais cidades. Iniciou-se a construção do gigantesco complexo hidrelétrico de Inga no Baixo-Zaire e que, quando terminado, fornecerá 14.000 Mw, produzidos por um sistema de três represas principais e duas secundarias. Sobretudo nos últimos três anos o Zaire vem conhecendo um acentuado desenvolvimento econômico, com instalação de novas indústrias, desenvolvimento das antigas, e melhorias sociais, malgrado a persistência de um grande déficit em técnicos e administradores nacionais, que eram supridos por europeus a custos muito mais elevados.

Zairianização.
Estas medidas conhecidas como de “zairianização da economia” e visando dar ao país uma maior independência econômica compreendem principalmente:
1.º — todas as empresas comerciais e agrícolas médias e pequenas, bem como todas as companhias de transporte terão que ser compulsoriamente vendidas por seus proprietários brancos e cidadãos zairenses recomendados pelo Governo;
2.º — todas as empresas comerciais e agrícolas terão que ser vendidas por seus proprietários brancos diretamente ao Governo;
3.º — todas as companhias de construção ficam subordinadas ao Departamento de Obras. As vendas nos dois primeiros casos serão amortizadas em 10 anos. Os diretores brancos das companhias já “zairianizadas” serão substituídos por zairenses. Processou-se, também, a estatização das grandes companhias mineiras. Vale assinalar que as companhias atingidas pelas medidas de “zairianização” detinham o controle quase absoluto do comércio externo e interno do país.

Finanças.
A moeda nacional é o Zaire, que é dividido em 100 makuta (singular likuta”, sendo o câmbio oficial de Z. 0,50 = US$ 1,00). O país, na composição percentual de seu orçamento, destaca a maior dotação para a área educacional: 25,5%. Para a defesa: 13,8%; para dotações: 12,1%; para dívida pública: 8,7%; para cidades e regiões: 7,9%; para obras públicas: 6,0%; para assuntos políticos: 4,4% e para outros departamentos 21,5%. Embora uma deterioração das trocas, a balança comercial do Zaire apresenta um saldo positivo de US$ 46 milhões em 1972, contra US$ 45 milhões em 1970 e US$ 202 milhões em 1969. O saldo da balança comercial zairenses, embora permanecesse positivo, decresceu no período em análise (de US$ 195 milhões em 1968 para US$ 46 milhões em 1972), devido ao maior crescimento apresentado pelas importações (107,4% no período 1968-72) em relação às exportações (36,4%). O Zaire se caracterizou como país exportador de produtos agrícolas e minerais, representando essas duas categorias, respectivamente, 16,7% e 81,6% de suas exportações em 1972. Dentre os produtos agrícolas destacam-se o óleo de palma, o café, a borracha, óleo de palmiste e madeiras. Já com relação a produtos minerais, responsáveis por cerca de 82% das exportações zairenses em 1972 (US$ 564.578 mil) cabe ressaltar: cobre, principal item da pauta com cerca de 59% do total exportado, cobalto (7,7%), diamantes (6,8%), zinco (3,5%), cassiterita (2,1%) e minério de manganês (0,7%).

Importação Selecionada.
O mercado zairense oferece, neste momento, oportunidade para a compra de produtos brasileiros selecionados. Nesses itens se pode incluir equipamentos para construção, já que o mercado interno está crescendo grandemente. Fazem-se estradas de rodagem e de ferro, represas, além de haver uma atenção toda especial para o setor social, com uma demanda natural para materiais para casas. Materiais para mineração, já que o crescimento nessa área continua e a extração e metalurgia exigem maquinaria especializada para o cobre, cobalto, diamantes, zinco, estanho, etc. Equipamentos de refrigeração e condicionamento de ar, como fruto do próprio desenvolvimento urbano e da melhoria geral da população. A renovação da rede hoteleira e a substituição de equipamentos velhos. Produtos alimentícios, onde se situam: carnes e produtos de carne; peixes e comidas marinhas; produtos de trigo e milho, arroz, produtos enlatados e congelados. E equipamentos agrícolas, já que esta é uma das principais atividades econômicas do país, representando aproximadamente 10% do PIB. E há, também, o mercado de industriais interessadas em maquinaria e equipamentos de segunda mão, com menor sofisticação tecnológica que os utilizados na produção em larga escala nos países mais desenvolvidos. — Dados da Divisão de Informação Comercial do Ministério das Relações Exteriores.